Punto de Vista
O Brasil Mobilizado - Junho 2013

Uma série de demandas relativas à mobilidade urbana, educação, saúde, reorientação da aplicação dos recursos públicos, crítica aos gastos sutuários com as obras dos estádios de futebol em detrimento de outras prioridades, contradição entre o fomento à compra de automóveis particulares e os crescentes engarrafamentos nas cidades de todos os tamanhos, e críticas à especulação imobiliária que arrasa quarteirões e bairros tradicionais comprometendo a qualidade de vida, tem produzido uma inesperada e enorme manifestação cidadã.

Ficou claro nos reclamos populares a incapacidade dos partidos e associações tradicionais de representar essas demandas. Um ponto crucial das reinvidicações o constitui a falta de prioridade dos governantes ao transporte coletivo de qualidade, o que contribui ao caos urbano atual; e estreitamente relacionado com ele, a especulação imobiliária em grande escala (sem nenhuma qualidade arquitetônica, urbanística ou ambiental), potencializa os conflitos sócioespaciais.

Neste quadro geral, a ação dos meios de “comunicação”, com o monopólio da manipulação das notícias, produzem uma visão distorcida dos fatos, ora exaltando os “benefícos” dos gastos com a Copa e as Olimpíadas, ora criando climas de intranqüilidade em relação às mobilizações e demandas da população.

Numa perspectiva mais ampla, a insatisfação é também com a falta de qualidade da política de habitação e urbanismo social, a falta de adequada interconexão entre os diferentes pontos da cidade, e com a política de segurança pública no Rio onde a maioria das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) foi instalada nas favelas no entorno de pontos turísticos e instalações esportivas, fato aplaudido pela mídia mas criticado por sociólogos, pois deixa o resto das enormes áreas da zona norte e oeste da cidade livradas a sua própria sorte.

O que vem se perfilando nestas novas circunstâncias do país é o embate entre os que lutam pelo aumento do investimento público em transporte público de qualidade, educação, saúde e qualidade urbana de um lado, e os que querem o corte dos investimentos, o “mercado”...

São manifestações contra o crescimento econômico que não cuida da qualidade de vida nas cidades.

O espaço público, a rua, reune a sociedade na sua diversidade: esquerda, centro, direita; sonhadores, ativistas sociais, revoltados...

As demandas populares devem ser ouvidas, analisadas, processadas e interpretadas, dando-lhes uma coerência que permita as respostas organizadas do poder público nas diferentes áreas de governo e nas divesas escalas dos problemas a serem enfrentados, sempre considerando as questões desde o ponto de vista dos interesses populares.

Jorge Mario Jáuregui