Leitura dos Lugares

 

"La ciudad está en mi como un poema
que aún no he logrado detener en palabras"
Jorge Luis Borges

  Todo lugar tem seu interesse, configurado por uma coleção de traços, uma história particular, um contexto socio-territorial, e pontencialidades a serem postas de manifesto através do projeto.


O esquema de leitura da estrutura do lugar é o passo prévio para qualquer intervenção projetual.

Constitui o diagnóstico da situação existente e é o ponto de partida para a elaboração do projeto.

Nas áreas informais o que interessa é seu potencial de mobilização produtiva do território, que pode ter no projeto seu agente desencadeante.

A questão é, como articular a cidade dos fluxos (de mercadorias, de pessoas, de informações) com a cidade dos lugares (os fixos). Como articular a cidade global ( inserção territorial da mundialização) com a cidade local ( território produtivo, enraizamento).

É necessário pensar e atuar desde uma eco-concepção, isto é, desde a definição de um caminho preventivo capaz de permitir reduzir os impactos negativos das atuações sobre o entorno e as populações, considerando os ciclos de vida de materiais e produtos.

Desde o primeiro momento da análise de um lugar, é necessário considerar as relações entre a cidade, a urbanidade e o espaço público, e a forma em que cada edificação, como parte de um todo, se fará cargo da sua parcela de responsabilidade urbana. Quer dizer como ela será portadora de um "gene urbano" ou não.

O olhar deve levar em conta desde o primeiro momento o compromisso contra cidades e sociedades partidas, entendido isto como a tarefa de articular os aspectos físicos, com os sociais, ecológicos, de segurança do cidadão e as próprias problemáticas do sujeito. O que por sua vez implica articular o estético, com o ético e o político, bem como com o simbólico, o real, e o imaginário.

O Magma do Informal é o caracterizado por um conjunto complexo de fatores entrelaçados, onde o que interessa são os elementos intercalares desde onde fazer surgir articulações através de densificações, intensificações, reforçamentos e diversificações.

Nos interessam as articulações da diversidade mediante agregados auto-sustentáveis em termos ambientais, econômicos, sociais e urbanísticos, como geradores de soluções dentro do "campo problemático" que governa a produção dessas soluções.

Trata-se de articulações de extratos e de redes mediante o encadeamento de uma variedade de elementos heterogêneos, onde o projeto é um mecanismo de determinação: relações causais devem ser construídas.

Hoje existe a necessidade de uma arquitetura e de um urbanismo que dialoguem com o entorno, mas que pela sua vez sejam capazes de modificar a cidade.

A catástrofe que afeta à maioria das metrópoles contemporâneas é a carência de estratégias e de políticas urbanas resultado da fragmentação do território numa descontinuidade, descoordenação e sobreposição de iniciativas.

O desafio do pensamento verdadeiramente ético é reinventar suas próprias normas diante do desconhecido.

Hoje o lugar se define além das suas conotações morfológicas (do que vinha sendo denominado "contexto").

A dimensão cultural da cidade contemporânea implica enfrentar com eficácia o local desde uma lógica que tem na idéia de campo (como cruzamento de forças, tensões, escalas, ações e atividades) uma situação incompleta a reestruturar. O lugar como um limite onde se trata de favorecer novos vínculos e conexões a várias escalas. As intervenções devem agregar energia vital a um lugar.


Jorge Mario Jáuregui